FALTA RESPEITO À PROFISSÃO DO CONTADOR
Reinaldo Luiz Lunelli*
31/07/2013, Portal Tributário
Recentemente repercutimos sobre a existência da Súmula
CARF nº 8, do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, órgão da SRF, que
estabelece que o exame da escrita fiscal das pessoas jurídicas, pode ser feito
por qualquer pessoa, não sendo necessária a habilitação profissional de
contador. Aliás, esta decisão não é recente e já vigora a bastante tempo.
Tudo bem que
todos somos iguais perante a lei, conforme prevê o Art. 5º da Constituição
Federal; no entanto a nossa carta magna também preocupou-se em descrever na
alínea XIII do mesmo artigo que é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer. Destaco “atendidas
as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
Ora, se precisamos de um texto legal para dizer que o
trabalho técnico executado pelos contadores só podem e devem ser realizados por
estes profissionais vamos nos voltar ao texto da alínea “c” do Art. 25 do
Decreto-Lei nº 9.295/46:
“Art. 25. São considerados
trabalhos técnicos de contabilidade:
…
c) perícias judicais ou
extra-judiciais, revisão de balanços e de contas em geral, verificação de
haveres revisão permanente ou periódica de escritas, regulações judiciais ou
extra-judiciais de avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais
das sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza técnica
conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.”
O artigo seguinte ainda complementa dizendo que estas
atividades serão privativas dos contadores diplomados; e se não bastasse isso
ainda temos a regulamentação do CFC exigindo a aprovação no exame de
suficiência para o completo registro profissional.
Entendo até, que toda esta regulamentação se torna
desnecessária se olharmos o que acontece nas demais profissões; não existe
delegado, juiz, procurador ou desembargador que não seja advogado e na área
médica também isto ocorre nos altos escalões da saúde, o que é perfeitamente
justo, uma vez que não se pode colocar leigo em pontos que tenham que ter pessoal
especializado, sem menosprezar a capacidade de ninguém.
Será que estão faltando profissionais contábeis no
mercado? Sei que não é este o caso. Será que falta uma atuação mais próxima das
nossas entidades de classe? Será que falta maior representatividade de
contadores no senado nacional? Porque a maioria dos fiscais da Receita Federal
e dos órgãos de fiscalização estadual são psicólogos, professores de educação
física, veterinários, concurseiros profissionais e mais uma gama de pessoas que
não possuem formação ou especialização nas atividades que hoje ocupam?
Se olharmos com a ótica do corporativismo, ainda nos
deparamos com decisões confusas emitidas por fiscais que orientam e disciplinam
as atividades dos profissionais contábeis. Hoje o contabilista que estudou por
anos e sempre necessita se reciclar é um auditor fiscal não remunerado e sem
qualquer benefício que muitas vezes precisa debater assuntos técnicos e
operacionais com um veterinário ”fiscal concursado” com um treinamento público
básico e que não entende a fundo a questão; não por ser veterinário, mas
simplesmente por não ter conhecimento técnico e experiência para tal discussão.
Acho que chegou a hora de nós exigirmos um espaço maior
nestes concursos, mostrarmos a importância e relevância da nossa formação. 2013
é o Ano da Contabilidade no Brasil? Que este não seja só um tema bonito para
servir como pano de fundo das entidades de classe. Pagamos caro nossas
anuidades e precisamos mais do que fiscalização no exercício profissional,
precisamos ser reconhecidos no meio privado e público.
Será que as entidades da administração pública estão
acima da lei e não precisam observar os ditames legais? Ou falta, na verdade,
arregaçar as mangas e se mobilizar contra tais flagrantes desrespeitos aos
contadores e estímulos do tipo apologia a não observação da legislação pátria.
Tente não entregar uma obrigação acessória ao fisco e você verá como será
tratado!
A hora é agora. Divulgue este texto por e-mail, redes
sociais ou qualquer outro meio que possa levar a nossa indignação e o nosso
desejo de reconhecimento profissional. Não fique parado, afinal de contas a
contabilidade é feita por nós contabilistas e precisamos ser respeitados como
todas as demais profissões! Que cada um possa utilizar o conhecimento técnico
que construiu para o desenvolvimento da sua atividade e para o avanço social.
* Reinaldo Luiz Lunelli é
contabilista, auditor, consultor de empresas, palestrante, professor
universitário, autor de diversos livros de matéria contábil e tributária e
membro da redação dos sites Portal
Tributário e Portal de Contabilidade.
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