O
País das obrigações acessórias
Este panorama é reflexo
da tendência do governo em criar novas obrigações acessórias.
O compromisso da União de racionalização do sistema
tributário, desde o início da implantação do Sistema Público de Escrituração
Digital, vem caindo por terra com a criação de novas exigências fiscais. De
acordo com estudo feito com 183 países pelo Banco Mundial e a
PricewaterhouseCoopers, o Brasil conquistou o último lugar em tempo gasto no
cumprimento delas: 2,6 mil horas anuais. Este panorama é reflexo da tendência
do governo em criar novas obrigações acessórias.
A última veio com Instruções Normativas 1.277/12 e
1.281/12, que criou e implantou nova declaração para os prestadores de serviços
que negociam com estrangeiros: o Sistema Integrado de Comércio Exterior de
Serviços - Siscoserv, que veio para se juntar ao grande emaranhado de
exigências como DIPJ, DIRF, DACON, DCTF, DIMOB, DMED, GFIP/SEFIP, DITR,
PER/DCOMP, EFD-Contribuições, EFD, ECD, FCONT, DIMOF, DNF, MANAD, só para citar
as de âmbito Federal.
"Como se já não bastasse o insuportável peso
da obrigação principal: o pagamento dos tributos, o contribuinte ainda precisa
arcar com o ônus das obrigações acessórias, que demandam cada vez mais tempo e
gastos", explica o presidente do SESCON-SP, José Maria Chapina Alcazar.
A inversão do papel fiscalizador, que é do Estado,
mas vem sendo transferido para o contribuinte, segundo o líder setorial, só
traz prejuízos. "Além de se desviar de sua atividade, o empreendedor
precisa decifrar a complexa legislação brasileira, gastar tempo e dinheiro com
o preenchimento de declarações e, caso tenha cometido algum erro, ainda fica
sujeito ao pagamento de altíssimas multas, que podem até levar o negócio à
falência", destaca. "Tudo isso para municiar o Fisco de informações,
ajudá-lo na fiscalização", acrescenta.
Para o empresário contábil, este comportamento do
governo deve condenar, em pouco tempo, o crescimento do País, tendo em vista
suas consequências como a desindustrialização, a inibição de empregos, a falta
de competitividade das empresas nacionais no contexto mundial, além do aumento
do Custo Brasil.
O SESCON-SP tem cobrado insistentemente da Receita
Federal do Brasil e de outros órgãos a simplificação do sistema tributário, com
medidas como a descentralização dos prazos de entregas de declarações e a
extinção de obrigações redundantes. Chapina Alcazar cita como exemplo o
recém-criado Siscoserv, que solicitará informações semelhantes às constantes na
DIPJ e na DIMOF.
No intuito de contribuir, o Sindicato fez um
mapeamento de obrigações acessórias nas três esferas governamentais e entregou
à RFB. "O empreendedorismo está no seu limite, imerso em tantas obrigações
e elevada carga tributária. Agora é o momento de o rigor e estrutura
tecnológica destinados à fiscalização e ao controle serem empregados também em
benefício dos contribuintes", argumenta Chapina Alcazar, frisando que
disto dependente o desenvolvimento de um País forte, estruturado e sustentável.
Fonte: SEGS
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