segunda-feira, 23 de julho de 2012

NOTÍCIAS - Politica local


Debate dos candidatos a Prefeito de Bagé


Às 11h05min de sábado, dia 14 de julho, o radialista Mariano Augusto Rodrigues anunciou a abertura do primeiro debate em os postulantes ao cargo de prefeito de Bagé.

Sentados lado a lado, Adriana Lara (PTB) e Manoel Machado (PSDB) posicionaram-se de frente para Dudu Colombo (PT), naquele momento estava estabelecido embate. A trabalhista, o tucano e o petista disputavam segundo a segundo a atenção dos ouvintes da Rádio Difusora.
O sorteio realizado uma hora antes do início do confronto determinou a ordem dos candidatos para o uso da palavra. O primeiro bloco do programa teve a apresentação dos concorrentes, o empresário Manoel Machado foi o primeiro a falar. Ele ressaltou sua origem no campo, tendo nascido no interior do município no distrito de Torquato Severo, destacou o casamento, a família e a atividade como pequeno empresário.
Adriana Lara foi a segunda. A professora da rede municipal salientou as raízes com a cidade, lembrou ter sido a vereadora mais votada nas duas últimas eleições e, também, falou da família.
Dudu foi o terceiro a apresentar-se. O atual prefeito ressaltou os 25 anos vividos em Bagé. Citou sua chegada, quando foi professor universitário e da rede privada de ensino, relembrou os tempos de sindicalista do setor e mencionou o casamento e as filhas.
Passada a apresentação dos três, os candidatos responderam: porque concorrem a prefeitura de Bagé? Adriana foi a primeira. Disse ser a força da esperança de um governo desenvolvido junto ao povo, focou novamente as raízes com a cidade. Dudu, segundo a responder, repetiu o discurso da eleição de 2008, o de continuidade. Só que agora, aos próprios projetos e não mais os da gestão anterior. Manoel, ao falar por último, lembrou a eleição de 2010, quando José Serra venceu os dois turnos em Bagé por uma diferença de 10 mil votos. Disse ter nascido ali, a sua candidatura, para oferecer uma opção de verdadeira mudança.
Na apresentação das coligações, Dudu afirmou ter montado a maior coligação da história dos pleitos eleitorais de Bagé com 15 partidos. Comemorou o fato de ter mantido o apoio das legendas de 2008, considerando uma vitória na articulação política, agregando o apoio do PMDB do vice-presidente Michel Temer. Citou também a presidente Dilma Rousseff, o governador Tarso Genro, o vice, Beto Gril e o secretário da Agricultura e ex-prefeito Luiz Fernando Mainardi.
Manoel salientou a coragem de seu partido em lançar uma candidatura com chapa pura, sem coligações e com pouco dinheiro, coesa e firme no propósito de lutar pela alternância no poder o que considera salutar e fortalece a democracia. Ressaltou o apoio das lideranças estaduais e nacionais do PSDB, como o deputado federal Nelson Marchesan Júnior, os deputados estaduais Lucas Redecker, Pedro Pereira e Jorge Possobom, além do senador Aécio Neves e do candidato a prefeitura de São Paulo, José Serra.
Adriana colocou em dúvida a coligação de Dudu. Disse que cinco dos partidos que compõem a chapa do petista possuem uma mesma pessoa com ramificações numa mesma família. Ressaltou suas oito siglas aliadas e que estes eram partidos de verdade. Lembrou ter o apoio do deputado federal Afonso Hamm e do secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social, Luís Augusto Lara entre outros secretários das legendas aliadas no governo estadual. Também frisou sua amizade, respeito e admiração por Mainardi.

Os temas

Com três minutos para falar sobre os assuntos temáticos, abastecimento d’água, geração de empregos, saúde e segurança, nesta ordem, Adriana abriu a rodada. A trabalhista afirmou que enquanto vereadora, juntamente com a base aliada do atual governo, pediu a suspensão da cobrança dos excessos d’águas, referindo-se ao racionamento de 12 horas, que segundo ela, já dura dois anos. Criticou o prefeito, pois segundo Adriana, Dudu lota ônibus com presidentes de bairros para ir visitar as obras da barragem.
Adriana rememorou o ano de 2008, quando Mainardi, ainda prefeito, passou o cargo para Dudu e também o convênio para a construção da barragem da Arvorezinha e somente agora, quatro anos depois, próximo das eleições, a obra está em andamento.
Dudu contra-atacou falando de desconhecimento de Adriana sobre o tema. Para o petista falar em dois anos de racionamento era esquecer a história, já que o abastecimento d’água no município é o maior problema e o mais antigo. E que hoje está sendo resolvido. O petista afirmou orgulhar-se de receber o primeiro projeto da barragem das mãos de Mainardi e que isto demonstrava a sintonia e a harmonia entre as gestões.
O prefeito direcionou a fala à oposição, afirmando que independente da vontade ou não deles, a barragem estava sendo construída. Uma obra de R$ 49 milhões, uma promessa de muitas décadas. Neste momento, Dudu atacou diretamente Adriana, ao mencionar seu mandato caçado, e dizer que se a trabalhista ainda fosse vereadora poderia fiscalizar a obra.
O tucano, direcionou seu discurso para a administração pública e sentenciou. A carência no abastecimento d’água no município é um problema de gestão petista. Conforme o candidato do PSDB, o PT em 12 anos de governo, não armazenou um litro a mais de água nas barragens da cidade, sendo as mesmas de mais de 20 anos, afirmando que hoje a cidade não dispõem de três milhões de litros cúbicos armazenados. Classificou a obra como faraônica e eleitoreira. Mencionou ainda, a falta de pagamento das desapropriações. O candidato tucano encerrou considerando que os gastos extraordinários refletem na falta de verba para outras áreas e no andamento da obra, que levará mais quatro anos e talvez custe R$ 100 milhões.

Empregos

Neste tema, Dudu salientou a capacitação profissional de mulheres na construção civil e o Pronatec do governo Federal. Citou a distribuição de renda pelo Bolsa Família. O prefeito lembrou o trabalho para trazer para Bagé, a empresa de beneficiamento de sementes Prosementes, a vinda do Hipermercado BIG e, mais recentemente, a fábrica de carrocerias de ônibus uruguaia Patriarca. Conforme Dudu, a empresa deve gerar 100 empregos diretos e produzir 500 veículos-ano. A expectativa é de que, em dois anos possa passar a mil unidades produzidas e 200 empregados.
Para o candidato tucano, a geração de empregos no município passa pela instalação de indústrias na região. Manoel acredita na criação de aporte, que oferece ao empresariado perspectiva de lucro. Há, na visão dele a necessidade de melhorar a infraestrutura para oferecer energia e água suficientes para a vinda das fábricas.
Manoel ressaltou a presença das indústrias de beneficiamento de arroz no município, porém a maior parte da matéria-prima produzida em Bagé, vai para outros centros para ser manufaturada. O tucano defende a ideia de agregar valor a produção primária local com a vinda de fábricas do setor de transformação. Evitando assim, que a matéria-prima vá gerar renda em outros municípios.
Adriana levou dados do SINE, apontando que cerca de 400 pessoas perdem emprego por ano em Bagé. O município teria 16 mil desempregados atualmente, os motivos são a baixa qualificação, a desvalorização do empresariado e a baixa industrialização do município e da região. A candidata atacou a prefeitura por empregar cerca de cinco mil funcionários na atual gestão, sendo a maior fonte de emprego hoje no município. Para a trabalhista, o poder público tem de fomentar e facilitar a geração de empregos no setor privado.
Ela também explorou a falta de incentivo à cadeia produtiva de soja. No município e região, exemplificou Adriana, existem 20 mil hectares de soja, mas não há beneficiamento. A trabalhista criticou, ainda, o que considera a falta de investimentos nos pequenos produtores da pecuária leiteira e o Projeto Olivares, que segundo ela, as oliveiras não foram plantadas em Bagé.

Saúde

As filas no Pronto-Socorro. Manoel atacou o que afirmou ser o acúmulo de pessoas reflexo do que seria um atendimento falho nos posto de saúde. O tucano falou ainda sobre a dificuldade para conseguir uma ficha para consultas com especialistas. Anotou também falta de recursos direcionados para a saúde.
A candidata Adriana Lara preferiu usar o argumento do desmanche da saúde. A trabalhista afirmou que Dudu desmontou o programa Estratégia Saúde da Família (ESF), deixando faltar médicos, material e atendimento. Disse que os leitos lotados e o pronto-socorro cheio são reflexos deste desmanche. Para ela a atual gestão não investiu e não fortaleceu a prevenção das doenças nos bairros. Os índices de mortalidade infantil dobraram também pela falta de prevenção, afirmou Adriana. A candidata fez elogios à construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas fez a ressalva de que pretende potencializá-la.
Ao se defender das acusações dos concorrentes de que havia deixado a saúde em segundo plano durante sua gestão, Dudu os chamou de mal intencionados e de mal informados. Disse que a população da cidade aumentou e o Pronto-Socorro não acompanhou este crescimento. Ressaltou o repasse de R$ 100 mil mensais para o funcionamento. Destacou o recurso de R$ 2 milhões para a construção da UPA e mais liberação de R$ 900 mil junto ao governo do Estado para a aquisição de equipamentos.
Quanto aos números de mortalidade infantil, Dudu rebateu as críticas afirmando ter dados da Secretaria de Saúde do Estado apontando uma redução de 20 mortes por mil habitantes, para 10 mortes por mil habitantes.

Segurança

No tema da segurança, Adriana foi a primeira a falar. Trouxe dados que de acordo com ela são do Caps-AD, onde mais de 100 pessoas procuram o local para o tratamento e desintoxicação. Destacou a necessidade de prevenir e combater o consumo de drogas.
Lembrou o Programa Educacional de Resistência as Drogas e Violência (Proerd) da Brigada Militar, que por iniciativa dos vereadores do PTB foi transformado em programa também municipal. Mas disse que irá fazer diferente da atual gestão que entrega apenas as camisetas para o projeto. Ela afirmou que irá investir em recursos humanos e material. Criticou também a falta de atenção ao Observatório da Violência, que em quatro anos não teria saído do papel. Levantou ainda a bandeira da Delegacia da Mulher, Adriana quer instalar um distrito policial especializado no combate à violência contra mulher.
Para o setor da segurança pública, Dudu destacou o Pronasci Abigeato. Salientou o esforço para trazer o policiamento da Brigada Militar para mais próximo ao centro da cidade. Hoje, o 1º Esquadrão está alojado no prédio da antiga escola Marques de Tamandaré na Praça das Carretas. O prefeito ainda lembrou o Projeto Quilômetro 21 de Economia Solidária para prevenção.
Manoel falou em falta de estrutura e na incoerência do PT para combater a criminalidade, que para o tucano tem aumentado nos últimos anos.

Fonte: Jornal Minuano

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